Por Marcos L. Susskind
Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, em relação ao universo, ainda não tenho certeza absoluta.
Albert Einstein
A frase acima, atribuída a Einstein, proferida há cerca de 90 anos, parece jamais perder sua atualidade. Ela se mostra viva, mais uma vez, em relação ao conflito atual no Oriente Médio. A eficiente propaganda palestina, aliada às bobagens endossadas pelas esquerdas mundo afora, faz da história universal um componente cômico. Caso você leia todo o artigo, entenderá a escolha do título.
Ocorre que os árabes que se intitulam palestinos já convenceram incautos de que os filisteus eram palestinos, que os gregos se estabeleceram na Palestina e até mesmo fazem alguns acreditar que Jesus era palestino.
Mas, e os fatos?
Antes de uma passada pela história, vale a pena entender quem são os palestinos, nome que designou povos totalmente diferentes em diferentes épocas.
Consideram-se palestinos hoje os árabes que, em 1947/48, habitavam o que hoje é a Cisjordânia + Israel + Faixa de Gaza + Jordânia e seus descendentes.
Na guerra de 1948/49, a então Transjordânia conquistou a região da Samaria e da Judeia, às quais deu o nome de Cisjordânia. Em abril de 1950, o parlamento da Transjordânia anexou oficialmente as áreas conquistadas (fato reconhecido por um único país: Inglaterra). A partir de 1951, o termo palestinos deixa de referir-se aos cidadãos jordanianos.
Voltemos ao período 1897/1948. Este é o período do estabelecimento e crescimento do Movimento Sionista. Os judeus que se dirigem à sua velha/nova pátria se denominam, orgulhosamente, palestinos. Seu banco é o Banco Anglo-Palestino, sua moeda é o pound palestino, o jornal judaico é o Palestine Post, e a bandeira da Palestina, em todos os compêndios da época, similar à atual bandeira de Israel, é composta de uma faixa azul, uma branca, com uma Estrela de Davi dourada no centro.
Há um fato muito interessante e raramente lembrado. Os ataques de árabes a judeus no período 1936/39 levaram os mandatários ingleses a criar a Comissão Peel para propor uma solução. Essa comissão designou toda a população local como palestinos. As lideranças árabes rejeitaram peremptoriamente este nome e, em 1937, enviaram uma delegação a Londres exigindo que o termo palestinos se referisse exclusivamente aos judeus, sendo que os árabes locais teriam de ser chamados de sírios do sul. O NY Times de 4/12/1945 é uma boa amostra.
Este conceito permaneceu por longos anos. Em 1956, Ahmed Shukeiri proclamou na ONU: “o termo Palestina é uma invenção judaica. O que os judeus chamam de palestinos são sírios do sul”. O Império Otomano, que reinou durante 400 anos na região, jamais denominou qualquer área como Palestina, apesar da divisão da região em diferentes distritos.
Durante a 2ª Grande Guerra, havia uma brigada de infantaria composta por voluntários judeus (provenientes do atual Israel) no exército inglês. Seu nome: Regimento Palestino.
O líder da organização al-Sa’eqah, Zuhair Mohsen, disse, em uma entrevista em 4/7/1977 ao jornal holandês Trove, que a reivindicação de uma identidade palestina foi levantada apenas por razões táticas: “Não existe povo palestino. Estabelecer um Estado palestino é uma ferramenta para continuar a luta contra Israel e pela unidade árabe. Eu costumo afirmar que tal nação existe e que é diferente dos jordanianos. No entanto, não há diferenças entre jordanianos, palestinos, sírios e libaneses; somos um só povo. Só falamos sobre a identidade palestina por razões políticas, porque o interesse nacional dos árabes é encorajar a existência separada dos palestinos, em oposição ao sionismo… Assim que obtivermos os nossos direitos sobre toda a Palestina, não devemos adiar nem por um momento a unificação da Jordânia e da Palestina”.
A história antes do nome Palestina
A região, no passado remoto, era chamada Canaã até o século 12 AEC, ou seja, desapareceu há cerca de 3300 anos. Já nos últimos 200 anos da época canaanita, vastas áreas estavam em mãos das famílias estendidas de Abraão, Isaac e Jacó, e, por isso, essas áreas de Canaã já eram conhecidas como Terra dos Hebreus.
Por volta de 1400 AEC, o nome Canaã começa a ser substituído por Terra de Israel. Em 928 AEC, com a morte do rei Salomão, a pátria judaica se divide em dois reinos distintos — o Reino de Israel (Samaria), ao norte, e o Reino de Judá (Judeia), ao sul. O reino norte será conquistado e destruído pelos assírios comandados por Shalmanesser V, em 722 AEC. Nem ele, nem seu sucessor, Sargon II, conseguem vencer o Reino de Judá, no sul.
O Reino de Judá (ou Judeia), com capital em Jerusalém desde o ano 1000 AEC, só é derrotado em 586 AEC pelos babilônios comandados por Nabucodonosor, e os judeus são levados para o chamado 1º exílio. Quando o rei persa Ciro conquista a Babilônia, os judeus cativos são autorizados a retornar e reconstruir seu templo em Jerusalém.
Os judeus seguem vivendo no território de Judá por mais cerca de 600 anos — o que foi uma terra judaica por mais de 1100 anos — até a conquista pelo imperador romano Tito, que destrói o 2º templo e leva os judeus para o exílio em 70 EC. No entanto, muitos judeus se escondem e permanecem.
Qual a origem do nome Palestina?
O imperador romano Adriano, no ano 132 EC, resolveu mudar o nome da cidade de Jerusalém para Aelia Capitolina e construir um templo em homenagem a Júpiter sobre o Monte Moriá, local do 1º e do 2º templo judaico — o local mais sagrado para os judeus. O templo havia sido destruído por Tito há 52 anos, mas a santidade do local era inquestionável para os judeus. A decisão é considerada inaceitável, e os judeus residentes na Judeia se revoltam, comandados por Bar Cochba.
A revolta é sangrenta, dura três anos, e os exércitos romanos sofrem pesadíssimas perdas. A Legião XXII Deiotariana foi totalmente destruída, a Legião IX Hispana teve inúmeras mortes e debandou, e a Legião X Fretensis, orgulho dos romanos, também perdeu praticamente a totalidade de seus homens.
A revolta terminou com a morte de Bar Cochba e a prisão e execução de Rabi Akiva em 135 EC. Calcula-se que 580.000 judeus tenham morrido nesta revolta, e os sobreviventes foram escravizados e expulsos da Judeia.
Adriano vai ao Senado romano para declarar o fim da revolta e a célebre frase: “A paz comigo e com minhas tropas”. No entanto, o Senado romano (bastante antagônico a Adriano) não lhe permite dizer a frase, alegando que o altíssimo número de romanos mortos nas batalhas não configurava uma vitória digna. Adriano se enraivece e decide punir os judeus por sua humilhação.
O maior inimigo enfrentado pelos judeus foram os filisteus, povo desaparecido ainda antes da conquista de Nabucodonosor, portanto mais de 730 anos antes de Adriano. As guerras entre filisteus e judeus nunca desapareceram do imaginário judaico. E exatamente por este motivo, Adriano se vinga mudando o nome de Judeia para Syria Palaestina, nome que se transforma em Palestina. Isto ocorre em 136 EC, mais de 500 anos antes do nascimento do islamismo.

1 comentário
Esclarecedor o texto histórico. Parabens