Há quem passe a vida reclamando do escuro e há quem acenda uma vela. A diferença entre os dois raramente está no talento. Está na decisão de agir.
O engenheiro Igor Carvalho Rodrigues decidiu agir. Segundo a Revista Oeste, ele lançou na semana do segundo turno das eleições de 2026 o Politicômetro, uma plataforma gratuita para acompanhar o trabalho de quem ocupa cargos eletivos no Brasil. Em publicação no LinkedIn, Igor conta que construiu a ferramenta em 48 horas, de madrugada, “depois de botar meu filho pra dormir, com o dia inteiro de trabalho nas costas”.

O que é o Politicômetro

O site reúne, em um só lugar, dados oficiais sobre prefeitos, vereadores, deputados estaduais e federais, senadores, governadores e o presidente da República. Segundo a página do próprio projeto, são cerca de 70 mil políticos eleitos no cargo hoje. O caminho, segundo o site, tem no máximo três cliques: mapa, estado, crachá.
No “crachá” de cada político aparecem, conforme a Revista Oeste, presença em sessões, votos, gastos, propostas apresentadas e patrimônio declarado à Justiça Eleitoral, além do custo de cada mandato. É possível comparar até cinco políticos lado a lado, acompanhar a pauta da Câmara e do Senado, a agenda do Supremo Tribunal Federal e o Impostômetro, que mostra quanto cada estado arrecada em tributos federais.
As fontes, segundo o site, são públicas: TSE, Câmara dos Deputados, Senado Federal, assembleias legislativas, câmaras municipais e tribunais. O projeto afirma não dar notas, não fazer rankings e não recomendar votos. As listas aparecem em ordem alfabética.
A lição da vela acesa

“A gente vota do vereador até o presidente e não tem a mínima ideia do que o vereador que você votou está fazendo”, diz Igor no vídeo em que apresentou o projeto no Instagram. A frase é simples e incômoda. Quantos de nós lembram em quem votaram há quatro anos? Quantos acompanharam o que essa pessoa fez com o nosso voto?
A democracia não termina na urna. Ela começa ali. O voto é uma procuração, e quem entrega uma procuração tem o dever de saber o que o procurador está fazendo em seu nome. A transparência não é um favor dos governantes. É um direito do cidadão, e um direito que não se exerce acaba esquecido.
Há também uma lição sobre iniciativa. Igor não esperou um edital, uma verba ou uma autorização. Usou o que tinha: conhecimento, algumas horas de sono a menos e a vontade de servir. “Não é pra mim, não é só pra você. É pra galera que às vezes não tem acesso e não sabe onde buscar”, disse ele no vídeo.
Uma pergunta para cada leitor

Se a informação está a três cliques de distância, o que nos impede de procurá-la? Talvez a resposta seja desconfortável: é mais fácil reclamar do que acompanhar. Ferramentas como esta tiram de nós a desculpa e nos devolvem a responsabilidade.
Experimente. Procure o seu vereador, o seu deputado, o seu senador. Veja como votaram, quanto gastaram, se compareceram. E, se encontrar um erro, faça como o próprio criador pede: reporte. Uma vela acesa ilumina pouco. Muitas velas acesas mudam a paisagem.
Acesse o Politicômetro: politicometro.org
Instagram do projeto: @opoliticometro
Editorial / VOZ Insight Magazine
