Por Márcio War
No intrincado e complexo jogo de quebra-cabeças da geopolítica atual em meados de 2025, quando caminhamos para 2026 cheio de incertezas, uma coisa é certa: o mundo multipolar tendo os Estados Unidos sob a liderança de Donald Trump tende a garantir uma segurança maior ao Ocidente e a seus aliados e contido, ou adiado, planos de escalada totalitária.
A tríplice globalista, comunista e o islã tendem a convergir e divergir interesses e posições conforme os focos de tensão se apresentam. Mencionemo-nos por partes. Sabe-se de que o Irã está por trás da organização terrorista Hamas na Palestina e grupos Hezbollah no Líbano, todos contra Israel, aliado e defendido de primeira ordem dos Estados Unidos. Em junho pudemos observar o cirúrgico ataque a bases nucleares do Irã perpetrados por Israel e EUA. No conflito às portas da Europa, entre Ucrânia e Rússia, ambas forças se digladiam por territórios em suas fronteiras desde 2014, tendo a tristeguerra se acirrado há três anos e meio. Por mais que Trump tenha em campanha prometido o fim dessa Guerra, não tem sido fácil selar o acordo de Paz entre Putin, Moscou e Zelensky, Kiev.
Na Ásia, a tensão orbita ao redor das ações da China, que rivaliza com os Estados Unidos pela liderança global em várias frentes, e ambos são economicamente mútuo-dependentes. Em pautas como o domínio sobre Taiwan, a China possivelmente tenha adiado seus planos sobre a ilha, baixo a influência e contenção do efeito retorno de Trump à Casa Branca.
Retorno esse aliás, que tem deflagrado como temo visto, o uso da política comercial, como a imposição de tarifas, como moeda de pressão para a defesa da liberdade e democracia. Tal qual utilizado em outras décadas, e vigente até hoje, como contra Cuba, que possui regime fechado e ditatorial, essa cartada chegou inclusive para a maior economia da América do Sul: o Brasil.
Tendo internamente escalado a perseguição a opositores políticos conservadores, se utilizando das mesmas estratégias que democratas usaram contra Trump nos últimos anos, o ativismo judicial e juristrocrático que torna refém críticos e persegue opositores, o Brasil tem encarado sobretaxas de 50% para grande parte de suas exportações ao mercado norte-americano como consequência de abusos. E para o considerado o maior responsável do cerceamento de direitos e garantias fundamentais, um juiz da maior corte do país, foi inclusive aplicada a rígida Lei Magnitsky, que restringe e vedaoperações financeiras desse individuo com empresas que tenham capital norte-americano.1
Assim, da América Latina á Ásia, passando pela Europa e Oriente Médio, os conflitos e guerras que colocam em xeque os interesses geopolíticos e geoeconômicosdas lideranças mundiais seguirão tendo como toada a influência dos Estados Unidos sob a bandeira de um líder exímio negociador: Donald Trump. Os próximos anos tendem a ser de uma certa trégua e contenção de abusos e injustiças da esquerda comuno-globalista. Estejamos atentos.
consideradas aceitáveis pelo público em um determinado momento. Essa “janela” não é estática: o que está dentro dela hoje pode estar fora amanhã, e vice-versa. Políticos, líderes de opinião, mídia e movimentos sociais influenciam, direta ou indiretamente, a posição dessa janela.
Joseph Overton descreveu seis estágios pelos quais uma ideia pode transitar: do impensável – ideias vistas como moralmente erradas ou radicais; radical – ideias discutidas por grupos marginais, sem respaldo popular; aceitável – Ideias que começam a ser debatidas de forma séria em círculos de elite; sensata – Ideias vistas como plausíveis, ganhando adesão intelectual e midiática; popular – Ideias amplamente aceitas pela opinião pública e políticas – ideias incorporadas em políticas governamentais ou legislação.
Como a Janela se Move?
A mudança da janela de Overton raramente é um processo espontâneo; é, antes, o resultado de disputas narrativas, estratégias retóricas e mudanças culturais. Alguns mecanismos centrais incluem desde narrativas midiáticas, onde o main stream pode normalizar certas ideias ao introduzi-las no debate público, mesmo que inicialmente como controvérsias. Também tem-se o Ativismo social: movimentos sociais e organizações civis frequentemente trabalham para “puxar” a janela em direção às suas causas, como um lobby, ampliando o debate. Conjunto de políticos e lideranças, que ao adotar discursos que antes eram radicais, podem testar os limites do aceitável, empurrando as fronteiras do debate público sinalizando ‘normalidade’, ou de que seja tempo de realmente discutir determinado assunto; e por meio de cultura e arte: onde filmes, músicas, literatura e redes sociais desempenham papel fundamental ao naturalizar novas questões ou visões de mundo.
Em muitos casos, a introdução de uma ideia “radical” no debate público não visa sua imediata implementação, mas serve como estratégia de deslocamento da janela: ao propor algo extremo, cria-se espaço para que uma proposta moderada (antes vista como ousada) pareça sensata.
Entre exemplos contemporâneos de ajustes nessa janela em questão de debates públicos tem-se: desde a pauta abordada pela Voz Insight da resistência midiática em delatar odesaparecimento e abusos de crianças, passando pelas questões de banimento futuro de dinheiro em cédula para a adoção de moedas digitais estatais, que trazerão o controle governamental aos cidadãos a um nível antes impensável.
A Janela de Overton nos lembra de que a política não é apenas o espaço do possível, mas do imaginável. Ideias têm força e podem redefinir o “aceitável” na sociedade. Para analistas, cidadãos e formuladores de políticas, compreender a lógica da janela significa entender que a disputa política é, em essência, uma batalha por narrativas, percepções e muitas vezes de sobrevivência.
