Por Kitty Tavares de Melo
O eco da injustiça
Querido leitor, o Brasil volta a acordar sob o peso de um escândalo colossal: 90 bilhões de reais desviados do INSS — dinheiro público que, de direito, seria o sustento e a dignidade de milhões de aposentados. Este é o grito que provém não apenas dos cofres públicos, mas do silêncio de um povo que já não se assusta. A corrupção virou sistema.
E agora, surge mais uma faceta na voracidade estatal: os impostos sobre aluguel, que pesam como uma nova tampa sobre as vidas daqueles que produzem riqueza. A colmeia está doente, e eu convido você a refletir.
O roubo e a moral em colapso
Além de desvio — que é crime — a corrupção, se impõe como problema filosófico. É a negação da justiça e da confiança, o rompimento do pacto social. Quando se cobra mais do povo por um bem essencial — como moradia — já não se busca arrecadar, mas saquear.
A nova era da tributação sobre aluguel
Recentemente, com a aprovação da Reforma Tributária, temos o surgimento dos impostos IBS (estadual/municipal) e CBS (federal), substituindo PIS, COFINS, ICMS e ISS. Em vez de simplificar, muitos alertam que isso quase triplica a carga tributária sobre aluguéis, se for paga integralmente por empresários e locadores. Segundo a CBIC, um aluguel de R$ 2.000 teria imposto de R$ 73 hoje, saltando para R$ 169,60 com o IVA-dual .
Além disso, com o nascimento do Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB), também conhecido como “CPF dos imóveis”, a Receita Federal torna oficial o fim dos contratos informais — conhecidos como “contratos de gaveta”. Agora, locadores podem enfrentar multas de até 75%, e inquilinos, 20%, por omissão.
Ou seja: aquele aluguel simples virou objeto de controle total. Uma forma de dizer: “você não escapa”. Esse cerco fiscal penaliza quem já vive sobrevive a custos altos. A colmeia agora está sobrecarregada.
Platão e o Estado que já não é república
Platão, em A República, ensinava que só a sabedoria pode guiar a justiça. Mas aqui, vemos cada vez mais o Estado como armazém de interesses privados. A política é negociata, o aluguel virou fonte de tributação predatória, o trabalhador já não se protege — ele se curva.
A degeneração da pólis é vista por Platão como uma escalada que vai da aristocracia ao tiranismo. No Brasil, esse ciclo parece simultâneo — elites, impostos e opressão coexistem com uma democracia em estado de falência moral.
Orwell: o escárnio da desigualdade naturalizada
George Orwell alertou: “Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros.” No Brasil, quase todos pagam impostos, mas poucos são responsáveis — porque poucos são os poderosos.
A nova tributação sobre aluguéis — e o fim da informalidade — aperta o cidadão já sufocado. O absurdo vira normal: pagar mais pelo direito de morar como se isso fosse um privilégio, não um dever do Estado.
A colmeia em colapso
A metáfora das abelhas torna-se ainda mais pungente. As operárias — o povo — produzem. As elitares sugam. O mel sumiu. O Estado não regula, mas extrai. Uma colmeia que se tornou campo de batalha entre exploradores e explorados.
Santo Agostinho: uma nação ou uma quadrilha?
Para Agostinho, um império injusto é uma quadrilha de ladrões. Essa carga sobre o aluguel, somada ao roubo do INSS, não é “gestão pública”; é tirania institucional.
Roubar o povo por impostos excessivos não é política — é expropriação. E isso, caro leitor, corrói o que resta da cidadania.
Maquiavel e o poder autoritário disfarçado
Maquiavel observou os cálculos frios da política. Hoje, o Estado brasileiro aplaude os impostos sobre aluguel como “modernização tributária” — sem mencionar é uma sobrecarga sobre os menos favorecidos. Um maquiavelismo vulgar, sem ética.
Montesquieu: o freio que não existe
Montesquieu defendia a separação de poderes como proteção à liberdade. Mas veja: o judiciário, muitas vezes, deixa passar injustiças. O legislativo criou impostos predatórios. O executivo os aplica. A engrenagem gira com impunidade.
Corrupção: maior medo do Brasil
Não é só o aluguel. A corrupção voltou a ser o maior problema do país em 2025, segundo pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, alcançando 59% de menção, subindo 13 pontos em relação a abril.
E escândalos se acumulam: Operação Fames-19, desvios da pandemia que podem ultrapassar R$ 73 milhões em contratos de cestas básicas; emendas parlamentares, que, para 82% dos brasileiros, são sinônimo de corrupção, num orçamento de R$ 50 bilhões; esquemas como Zelotes, com R$ 19 bilhões desviados em fraudes fiscais no CARF; a imortal rachadinha, que explora salários fantasmas; e a velha farra das passagens aéreas, onde parlamentares abusam de cotas do erário.
É uma avalanche de golpes. E, no meio dela, o aluguel é apenas mais uma pancada no povo— e todos pagam.
A Janela de Overton: o aceitável que se move
Joseph Overton descreveu como ideias transitam do impensável ao político: impensável → radical → aceitável → sensata → popular → política. O problema é quem molda essa janela. Políticos, mídia e narrativas.
A decisão de tributar o aluguel em níveis imorais não surgiu num vácuo. Foi construída: narrativa de “equidade”, “controle”, “cidadania”. Mas quem perde são os mais frágeis. E uma ideia que parecia ousada (tributar o aluguel para combater a informalidade) se tornou sensata, depois popular, até política.
Mas olhe: muitas vezes, o radical serve para que a proposta moderada (mas ainda injusta) pareça razoável. A Reforma Tributária foi vendida como do bem, e ninguém fala da colmeia que vai colapsar.
Despertar moral na colmeia
O Brasil que queremos: aquele que protege o aposentado, que garante o teto da casa, que administra com sabedoria. Platão, Orwell, Agostinho, Maquiavel e Montesquieu seriam nossos guias — não convidados de honra na festa da corrupção.
Estamos numa encruzilhada. Podemos cair no autoritarismo fiscal ou erguer um novo pacto moral. O caminho exige coragem, consciência e união.
A colmeia precisa despertar antes que o mel seja só construção da lembrança. O governo não é dono do povo. É administrador da dignidade que construímos juntos. Reverter estocepos de corrupção e impostos injustos não é utopia — é escolha.
